Você precisa de um namorado?
Talvez o ano tenha sido 2010: um pouco antes ou um pouco depois. Eu já gostava de escrever sobre coisas que Deus me ensinava, inclusive sobre contentamento e relacionamentos, e publicava no Orkut. Com certeza sabia menos ainda do que hoje e tinha menos experiência de vida.
Lembro que escrevi e publiquei um texto sobre relacionamento romântico e uma moça fez um comentário que me marcou.
Ela, possivelmente ferida por relacionamentos anteriores, ou cansada de esperar por um amor, despejou sua amargura e descrença ante os cuidados de Deus para com sua vida. Respondi ao comentário, tentando levar um pouco de esperança para aquele coração e ela retrucou perguntando minha idade. Eu respondi – se foi mesmo em 2010, eu tinha 19 anos –, e a tal moça replicou dizendo que era muito fácil para mim dizer aquelas coisas, já que eu era jovem demais, com tempo suficiente para encontrar um cara legal, mas ela já tinha quase 30 anos e ainda era solteira, logo, tinha razão sobre tudo que lamentava.
Naquele dia e em vários seguintes, pensei que, se por acaso eu tivesse no lugar dela, como eu iria me sentir e agir, e se realmente a minha juventude poderia ser uma zona de conforto para falar sobre contentamento para área sentimental, mesmo na solteirice.
Bem, os anos passaram, minha vida sentimental não foi tão doce quanto pensei, mesmo com a juventude e tempo que tinha pela frente. Mesmo tendo acesso à Bíblia, mesmo frequentando uma igreja evangélica e sendo sincera em minha busca por Deus, havia uma lacuna que eu não notava. Havia algo em mim, que emanava da minha natureza caída, que me dizia que eu precisava de um namorado, e eu deveria me casar e ter filhos com ele. Era quase como uma busca necessária. Era algo que eu realmente pensava que necessitava.
Isso me levou às escolhas erradas que resultaram em relacionamentos sem amor e abusivos, até que aos 25 anos (caminhando para os 30) Deus me levou à prática daquilo que antes eu conhecia superficialmente.
Não que eu precisasse ter passado por tais relacionamentos para então entender de fato o que Deus esperava de mim nessa área, mas foi justamente vivendo o último desses namoros que conheci as Doutrinas da Graça e entendi melhor as Escrituras. De um lado, havia a depressão e fracasso na vida sentimental. Do outro, havia a maravilhosa graça de Deus que me fez enxergar que eu não deveria ter medo do futuro, pois Ele é soberano e cuidaria de mim.
Confiar o meu futuro a Deus e aprender sobre Ele, inclusive sobre o que Ele havia estabelecido para o casamento, me fez romper aquele relacionamento fadado ao fracasso. Eu entendi, enfim, que seria aterrorizante casar com um homem a quem eu não confiasse de modo espiritual. Não era algo que eu estava disposta a arriscar... pode parecer exagero, mas tive o seguinte pensamento “se, casada com ele e com filhos, eu vier a morrer, quem continuará a criação bíblica dos meus filhos?” Eu sabia que ele não o faria, já que não fazia nem por si próprio. Em meu auge de desamor próprio e autorejeição, cogitei tolamente a destruir minha felicidade ao me unir a um homem falsamente crente (se isso fosse me livrar daquelas cobranças de que deveria me casar), mas rejeitei a ideia de comprometer a vida de crianças que ainda nem nasceram. Elas seriam minha responsabilidade. O estopim de pensamentos desorganizados eram um pedido de socorro. Eu deveria sair daquela situação. Eu não estava sendo bíblica, eu não poderia ensinar crianças em um lar. Eu tinha urgências e elas eram eternas.
Deus me cobrava isso, embora a voz dEle me soasse abafada pelas crises depressivas e de automutilação, pelos meus pecados e pelas consequências das más escolhas, inclusive por esse relacionamento infrutífero e destrutivo.
A desorganização de ideias foi findada pelas mãos dEle. Não era sobre minha felicidade, não era sobre o futuro de crianças ainda não nascidas... era algo maior. Era sobre Ele! A felicidade em um casamento e crianças criadas sob à luz da Bíblia seriam consequências de escolhas muito diferentes daquelas que havia tomado desde então.
Mesmo sabendo que "todas as primas já haviam casado" e que "depois dos 30 anos é difícil engravidar" (eram exatamente os comentários que eu ouvia), a alegria maior que Deus estava me mostrando fez essas pressões soarem ridículas.
Fiquei sozinha, sem entrar em um relacionamento, por dois anos e foi um momento tão bom e maravilhoso em Deus que a última coisa que eu queria era namorar. Aliás, se eu pudesse voltar no tempo, teria escolhido viver esse momento com Deus por muito mais anos... não, eu não precisava de um namorado.
Não me incomodavam mais os comentários de que eu morreria solteirona. Não me lamentava por não ter um namorado. Claro que a vontade de casar ainda existia e sonhada com isso; mas isso não era o centro da minha vida mais; tanto que, quando conheci meu noivo, não estava procurando por um relacionamento e nem imaginando que algo aconteceria naquele ano.
Estar noiva é a recompensa final?
Com certeza, não.
Mesmo não buscando por um relacionamento, mesmo tendo em mente que eu poderia chegar aos 30 anos solteira, eu tinha a convicção que era melhor uma vida de solteirice centrada em Deus que corromper meu corpo e minha alma em relacionamentos infrutíferos que me faziam caminhar em passos largos à desgraça.
Conhecer meu noivo foi uma bênção. Ele me ensina muito sobre Deus e me ajuda ser alguém melhor. No entanto, até fevereiro de 2018 não sabia que isso iria acontecer e foi em não saber o que iria acontecer que Deus alimentou minha confiança nEle.
Esse não é um texto com cunho teológico, é uma conversa que poderia ocorrer entre amigas. Talvez alguém esteja como aquela moça, que aos 30 anos pensava que não haveria mais alegria por estar solteira. Talvez alguém esteja como eu há alguns anos atrás, que na tentativa de sanar um buraco na alma, pensava que apenas um romance seria a cura.
Compensei minha sede de coisas eternas bebendo da fonte terrena e corrupta.
Tive namorados e continuei ainda mais infeliz, vivendo coisas que jamais imaginaria, como relacionamentos abusivos. Louvo a Deus por ter guardado minha vida, eu poderia ter me tornado uma estatística. Há casos e casos e falando sobre minha vivência, sem dúvida alguma, o motivo para que eu vivesse relacionamentos abusivos foi minha própria incredulidade. A culpa do crime que aqueles rapazes cometeram é um pecado deles e espero que não voltem a repetir isso com outras moças; mas isso não alivia o fato de minha própria idolatria em levou às más escolhas, sendo que parte dessas escolhas foi ter me envolvido com tais rapazes.
Não há méritos em mim por ter superado essas tragédias sentimentais, porque, no que dependeu de mim, fiz tudo errado.
Os méritos estão em Cristo, que através de Seu sacrifício, me deu acesso ao Pai e à Escritura. Que expôs meus pecados à luz me fazendo ver quão podre eram meus anseios e quão distorcida era minha visão sobre Deus - mesmo estando em uma igreja, mesmo lendo a Bíblia. Que me fez cair em arrependimento por ter considerado um romance o alívio para uma alma agitada. Que me mostrou um novo recomeço. Que me ajudou e ainda ajuda a lidar com as marcas que isso deixou em mim.
Irmã, não sei se você tem 19 ou 30 anos, mas desejo que hoje você beba das fontes eternas e enxergue que lá, no final de tudo, Cristo voltará e nos guiará à alegria eterna. Não troque sua paz com Deus por nada. Nunca vale a pena. Considere o refrigério e segurança que há em viver em Cristo e para Cristo, mesmo que não haja romance e casamento. Uma escolha errada resulta em não apenas uma, mas muitas consequências danosas - algumas irreversíveis. Precisamos nos alertar sobre esses danos, mas também precisamos entender que o motivo de vivermos em Cristo vai além de ter medo de viver coisas ruins. Precisamos buscar uma vida em Cristo pelo motivo de que Cristo nos é o suficiente.
Sei que nem sempre é fácil encontrar em nós essa motivação. Por isso sejamos sinceras com Ele. Uma oração sincera sempre é retornada! Diga "Senhor, eu não encontro motivos para me alegrar em Ti, me dê esses motivos". Abra a Escritura e leia. Repita todos os dias, não como um mantra ou ritual, mas com disciplina e comprometimento.
Se assegure em Cristo e naquilo que Ele diz às suas filhas. As verdades sagradas nunca serão clichê!
"Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão. Senhor dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança." Salmos 84:11,12
Se Deus considerar que um casamento é um bem para você, Ele te levará a isso. Não busque com suas próprias mãos. Não busque com seus critérios humanos. Não se desespere.
Confie no Senhor, ponha sua confiança nEle! Ele sabe o que é o melhor para você.
Em Cristo,
Fernanda Araújo Aires
Me siga no Instagram: @marcadaspelagraca
Por lá, novidades!
(A reprodução do texto é autorizada, desde que sejam citados autora e blog).



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