Eu só queria ser uma noiva comum.



As desnecessidades, vagarezas e pecado do meu coração foram expostos, ainda mais, desde que Danilo me pediu em casamento. Nunca sonhei com uma festa gigante e um dia de noiva daqueles que tem ofurô e champanhe, mas pensava que eu merecia o mínimo.

E o que seria o mínimo? Na minha mente, não ter que abrir mão de nada do que já era “pouco”, receber ajuda dos pais e ter toda a mobília.

Mas, a partir do momento que Danilo me pediu em casamento, já começamos a abrir mão de algumas coisas. Ele sabia que meu sonho era ganhar um anel de noivado e realizou esse sonho (o que me deixou muito feliz!), mas não conseguimos ter as alianças de noivado na mão direita, ou seja, continuamos usando a aliança de namoro, e eu, meu anel solitário.

Quando anunciamos nosso noivado, em dezembro de 2018, a pergunta mais repetida era: – “Quando vocês irão se casar?”, mas nem a gente sabia. É difícil lidar com os gastos atuais e reservar fundo pros gastos futuros, então, a resposta era: – “No segundo semestre de 2020”. Um ano e um mês se passaram. E foi o ano que aquilo que achava que merecia e não podia abrir mão se desfez. Orava a Deus dizendo: – “Eu só queria ser uma noiva comum”, enquanto certa dose de incredulidade e comparações me atingiam.

No dia 22 de janeiro de 2020, depois de um ano e um mês de noivado, pegamos nossas alianças (essas da foto), com nosso esforço e trabalho, mas acima de tudo, com a provisão de Deus. E a provisão dEle não está findada nesses objetos de ouro, que apesar de serem de ouro, continuam sendo objetos.

A provisão de Deus veio para me mostrar que meu conceito de comum estava carregado de orgulho e vergonha do que os outros iriam pensar de mim.

Tirando-me o que achava indispensável para o casamento, o Senhor tem me ensinado o que realmente não pode faltar: entrega, sacrifícios, humildade, e confiança e alegria nEle.

Estamos acostumadas a acompanhar o que as demais pessoas vivem e postam. Não é errado elas conseguirem uma festa decorada com flores naturais, assessoria cerimonial, fotos e vídeo, buffet e docinhos. Mas também não é errado se você não tiver tudo isso.


Deus tem me feito uma noiva comum. Aquilo que sempre pedi que gostaria de ser. Com certeza não estou pronta, mas Ele persistirá nessa construção. Hoje, o nosso "segundo semestre de 2020" tem data estipulada. Temos nosso cantinho, que, por enquanto, possui apenas um sofá e alguns poucos utensílios de cozinha. Mas prosseguiremos buscando alegria no Senhor, que nos dará o necessário.

Gostaria de ver mais vezes histórias comuns fora do padrão “comum”. Porque não é feio, vergonhoso ou “pobre” se a gente não consegue o que “todo mundo” consegue.

Danilo e eu não casaremos com festa, nem na igreja, nem com mais de 10 convidados na cerimônia. Se Deus nos permitir viver esses planos, compartilharei com vocês. Não porque me vejo como exemplo, mas porque quero ver mais gente feliz com aquilo que Deus nos dá. Não porque já aprendi a me alegrar, mas porque exemplos assim me ajudam também.

Que Deus me torne uma esposa comum. Será minha oração.

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.” (Filipenses 4:4)

Falo mais sobre esse tema no texto “Moça, tenha coragem para se casar”.


Com amor,
Fernanda Araújo.

(A reprodução do texto é autorizada, desde que sejam citados autora e blog).


Observação: Esse texto faz parte da série "Diário de Uma Noiva Comum" e por ser um relato de vida pessoal, constará detalhes sobre a vida pessoal da autora. Não é um texto teológico, embora aponte para Cristo e Escrituras.

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